domingo, 20 de junho de 2010

Museu do Amanhã













No Píer da Praça Mauá, às margens da Baía de Guanabara, surge um prédio alongado, que parece flutuar sobre um grande espelho d'água, rodeado por áreas verdes. O teto é formado por grandes abas, que se abrem e fecham de acordo com a intensidade do sol. As abas podem ser comparadas às asas de um inseto, a pétalas de uma vitória-régia ou a partes de uma bromélia. Essa é a concepção do arquiteto espanhol Santiago Calatrava, um dos maiores nomes da arquitetura mundial, para o Museu do Amanhã. Parceria entre a prefeitura e a Fundação Roberto Marinho, a instituição será uma das âncoras do projeto Porto Maravilha e deverá ser concluída em 2012. As obras serão iniciadas em janeiro do ano que vem.

No Museu da Amanhã, a ousadia arquitetônica está o tempo todo acompanhada da ideia de sustentabilidade, uma das palavras-chaves do projeto. Mais do que enfeitar, as abas móveis têm a função de captar a energia solar. A água da Baía de Guanabara será útil em duas circunstâncias: servirá para o sistema de refrigeração da construção e, na extremidade do píer junto à Praça Mauá, será bombeada para formar o espelho d'água. Essa mesma água passará por diversos filtros até ser devolvida limpa ao mar.

O museu - que deverá ser construído em concreto, aço e grandes placas de vidro, avançando 340 metros sobre o mar - terá dois níveis, interligados por rampas. No térreo, haverá uma loja, um auditório, salas de exposições temporárias, salas de pesquisa e ações educativas e um restaurante, além das áreas administrativas. No pavimento superior, ficarão as salas das exposições permanentes, além de uma espécie de belvedere e um café.

Hugo Barreto, secretário-geral da Fundação Roberto Marinho, explica que os desenhos impactantes de Calatrava, aliados à criação de estruturas altamente funcionais, têm conseguido revitalizar áreas degradadas, como hoje é o caso da Zona Portuária.

- Calatrava resgata o caráter escultural da arquitetura, mas com um sentido orgânico. A convicção de que fizemos a escolha certa cresce cada vez mais. O projeto dele dialoga com as montanhas ao fundo, com a Baía, com o Museu de Arte Contemporânea (MAC), em Niterói. Niemeyer (autor do projeto do MAC) e Calatrava têm, de uma certa maneira, um parentesco com o modo de ver arquitetura, já que os dois buscam a surpresa da forma e têm uma obsessão pela beleza - explica Hugo.

Felipe Góes, que preside o Instituto Pereira Passos, explica que, no total, serão investidos R$ 130 milhões no Museu do Amanhã, sendo R$ 35 milhões no desenvolvimento, no conteúdo e na infraestrutura da instituição. Os R$ 95 milhões restantes serão para a construção do edifício, incluindo projetos e arquitetura. O físico Luiz Alberto Oliveira, que faz parte da equipe da curadoria, fala sobre o acervo:

- Será um museu ligado à ciência, mas de uma forma diferente da tradicional. O importante não será um acervo físico, mas uma coleção de possibilidades. A ideia é que o visitante possa entrar no hoje, passar por uma série de reflexões e retornar ao presente. Só que, após pensar em questões como as mudanças climáticas e o crescimento da população, por exemplo, ele voltará ao presente com o pensamento modificado - diz Luiz, que é pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Para receber este nome, obviamente o Museu do Amanhã não se dedica ao passado. O texto de apresentação do projeto detalha o percurso que os visitantes farão pelo corpo da 'lagarta' que começará a ser moldada em 2011 sobre o píer. O passeio começa pelo Atrium de Hoje, dedicado ao estado atual do conhecimento e da humanidade. Em seguida, passa-se à Travessia das Perguntas. Depois, por uma "espiral cósmica", começa uma viagem da Terra em direção às galáxias, mergulhando no interior dos átomos. Neste ponto, haverá uma estrutura semelhante à dos planetários. A última parte é dedicada à Estação do Clima, ao Porto das Origens - sobre desenvolvimento da vida e crescimento das populações -, à Praça do Agora e à Plataforma do Futuro - estas últimas sobre integração econômica e diversidade.

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