sábado, 22 de setembro de 2012

O Protagonismo Carioca nas Artes

 
 
O Protagonismo Carioca nas Artes
 
A cidade do Rio Janeiro - mesmo após a transferencia da capital para Brasília - sempre protagonizou a produção cultural brasileira, seja nas artes, música, literatura, dança, cinema, arquitetura.
 
Nas artes plásticas modernas, no entanto o protagonismo era dividido com São Paulo, devido tanto ao evento da Semana da Arte da Moderna, quanto a Bienal de Arte, o excelente conjunto de museus e o robusto mercado de arte paulistano. A partir do novo milênio, São Paulo sofreu revezes como a crise internacional do modelo das Bienais, a prisão do mecenas Edmar Cid e uma prolongada esterilidade criativa. O Rio de Janeiro passa então a liderar a cena artistica nacional com início de eventos como a ArteRio que se tornou a maior feira de arte da América Latina, entrando no restrito circuito internacional e atraindo galeristas da Europa e dos Estados Unidos, e também pelo surgimento de novos espaços de arte como o MAR (Museu de Arte do Rio) e a Casa Daros a serem inauguradas em 2013, além da consolidação de colonias de artistas em Santa Teresa, na Gávea e na antiga fábrica Bhering.
 
É no Rio que estão todos os maiores artistas, historicamente e  internacionalmente falando.  Pense em Cildo Meirelles, Beatriz Milhazes, Adriana Varejão, Vik Muniz, Waltércio Caldas, Antonio Dias, Ernesto Neto, Jac Leirner, Rubens Palatnik, Anna Maria Maiolino, Iole de Freitas, os neoconcretos e uma lista interminável que inclui os proto-modernistas (Eliseu Visconti, Belmiro de Almeida), Iberê Camargo, Hélio Oiticica, Artur Bispo do Rosário, Lygia Clark, Lygia Pape, Di Cavalcanti e Portinari e só teremos cariocas, natos ou radicados. Raras e belas exceções representam o Brasil a partir de São Paulo, como Regina Silveira, hoje, ou os Modernistas, historicamente.
 
Alexandre Murucci




terça-feira, 31 de julho de 2012

A Fantástica Fábrica de Arte

A construção de 1930 já foi a célebre fábrica de chocolates Bhering, e após anos de abandono foi "ocupada" por artistas que buscavam um lugar para chamar de seu. A força criativa de ceramistas, fotógrafos, artistas plásticos, grafiteiros, estilistas, escritores e artesãos que ocupam os 20 mil metros quadrados da fábrica contribuiu para dar novo gás à região portuária. Em julho de 2012, o prefeito Eduardo Paes assinou dois decretos - de tombamento e de desapropriação - fazendo com que o imóvel passasse a ser propriedade da prefeitura e permitindo a instalação dos artistas. Hoje são cerca de 50 profissionais de gêneros variados, dividindo espaço, conhecimento e histórias. Eventos pontuais abrem as portas dos ateliês para visitação pública, enchendo o ambiente de música, cultura e arte. Alguns artistas como o quarteto de ceramistas responsáveis pelo Atelier do Terraço, oferecem cursos de iniciação para quem quer aprender a produzir suas próprias esculturas. Visitas devem ser agendadas com os artistas.






sexta-feira, 13 de abril de 2012

O Mozart Brasileiro


O padre José Maurício Nunes Garcia (Rio de Janeiro, 22 de setembro de 1767 – 18 de abril de 1830) foi um compositor brasileiro de música clássica que viveu a transição entre o Brasil Colônia e o Brasil Império. Apesar de conhecido como o Mozart Brasileiro, sua música recebeu mais influência do compositor austríaco Joseph Haydn. É considerado um dos maiores compositores das Américas de seu tempo.
Nunes Garcia era um religioso, mas conhecedor das ideias iluministas, compositor, regente, virtuose do órgão e do cravo, professor renomado, autor de modinhas e, por fim, mestre-de-capela da Sé da cidade (posto mais importante para um músico no Brasil Colônia).
De origem humilde, sua história está entrelaçada a fatos marcantes da história brasileira. No começo do século XIX, o músico mulato atinge estatura intelectual e herda um legado precioso de compositores, mulatos-livres que alcançaram prestígio com a música, como Francisco Gomes da Rocha, Marcos Coelho Neto, Ignácio Parreiras Neves e José Joaquim Emérico Lobo de Mesquita.

Musica: Zemira (Abertura) - composta em 1803 pelo musico carioca Pe José Maurício Nunes Garcia, um dos grandes compositores eruditos do Brasil, seguidor do austríaco Joseph Haydn.

Gravação: Vox Brasiliensis. Direção: Ricardo Kanji

Requiem - Musica composta em 1816 no Rio de Janeiro para os Funerais da Rainha Maria de Portugal e Brasil.
Gravação: Coro Madrigale

Kyrie Eleison Gravação: Coro Sinfonico do Rio de Janeiro - Roberto Minczuk

A Farsa da Semana de 22



O Mito da Semana de 22
Um dos mais respeitados curadores de arte do país, Paulo Herkenhoff, atual curador do Moma de Nova York desloca o centro do modernismo de São Paulo para o Rio de Janeiro.
A tese defendida pelo curador é a de que a arte moderna brasileira teve início bem antes da tão propalada Semana de 22. Basta o núcleo reunindo obras de artistas do século 19 mas desligados da academia, como Eliseu Visconti, Timóteo da Costa e Belmiro de Almeida, para mostrar como as experimentações de cunho impressionista ou expressionista já se faziam presentes por essas terras. Basta citar Maternidade em círculos, pintado em 1908 por Almeida, na qual está retratada 
uma Madona com seu filho por meio de círculos superpostos, cuja radicalidade é tamanha que a obra foi escolhida para o convite da exposição. "Não há consciência de superfície na arte brasileira até os anos 40 comparável a essa", afirma Herkenhoff. 

Jogar definitivamente por terra essa falsa idéia de primazia dos modernistas da Semana já conta com ampla concordância de historiadores, que igualam a mitomanização da Semana de 22 ao do mito dos Bandeirantes.


 O ponto nevrálgico de sua teoria - já esboçado na exposição Trajetória da Luz na Arte Brasileira, realizada ano passado no Itaú Cultural - é a crítica virulenta a uma articulação de poder econômico e político que deturpa a história da arte brasileira e coloca São Paulo como motor da modernidade 
no País. "22 é muito mais um mito do que resultado de um processo concreto e a história da arte brasileira foi muito empobrecida ao se negar esse passado", afirma ele. E cita como exemplo de que a modernidade se fez muito mais viva, intensa e precoce no Rio o fato de que enquanto São Paulo jamais reconheceu a modernidade da música popular, o Rio já gerava figuras essenciais como Pixinguinha e Ernesto de Nazaré. 

Se ficarmos no campo apenas da pintura, uma arte muito mais elitista do que a música, também há exemplos de rupturas bem radicais entre os que acabaram equivocadamente chamados de "acadêmicos", como Castagneto. "Não se pode negar que era uma pintura que rompia os cânones, mas até hoje se faz um silêncio permanente sobre esses índices." 

A reação virulenta que se segue às afirmações de que a hegemonia moderna paulista é falsamente construída em decorrência de um projeto de poder não parece incomodá-lo. Ao contrário: a irritação parece servir diretamente a seu interesse de desmontar ficções, não importa se elas tenham sido construídas em torno de figuras hoje inquestionáveis como Sergio Camargo, a quem chama de derivativo, e Oswald de Andrade.

http://www.estadao.com.br/arquivo/arteelazer/2002/not20021122p7664.htm

Abaixo: quadros de Belmiro de Almeida, Eliseo Visconti e Timóteo da Costa







sábado, 29 de outubro de 2011

Ensaio sobre a beleza

O espetáculo oficial de abertura do Momento Italia Brasil foi realizado ao vivo na Praça da Cinelandia, no Rio de Janeiro pelo Studio de Valerio Festi no dia 15/10/2011. A chuva esvaziou um pouco, mas deu um clima mais onírico a um espetáculo que é já extraordinariamente lúdico.

domingo, 11 de setembro de 2011

ArtRio - Feira Internacional de Arte do Rio


Não é todo dia que se vê uma feira de negócios já nascer tão grande. Com a presença confirmada de 43 galerias nacionais e trinta estrangeiras, dividindo uma área de 7000 metros quadrados em dois armazéns no Píer Mauá, a ArtRio Feira Internacional de Arte do Rio de Janeiro surge para preencher uma lacuna do mercado brasileiro do setor. O evento abrirá seus portões ao público na próxima quinta-feira (8), com o objetivo de movimentar algo em torno de 50 milhões de reais. Juntando a matemática fria dos números com as criativas propostas da produção, que vão além do esperado compra e vende do balcão, é possível afirmar sem medo de carregar nas tintas: nunca houve uma feira como esta no país. Por trás da iniciativa estão os empresários Luiz Calainho e Alexandre Accioly, além de Elisangela Valadares e Brenda Valansi Osorio, responsáveis pelo conceito do projeto inspirado na Miami Basel Fair. Foram elas que, em 2009, decidiram que não iam pensar pequeno. E, ao lado de autoridades municipais, estaduais e do governo federal, lutaram para manter de pé os dois principais pilares de suas ideias.




Não foi por acaso que se escolheu a Zona Portuária para sediar a ArtRio. Trata-se de um dos bairros da cidade com muitos armazéns vazios, que, com a proximidade da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, têm recebido mais investimentos por parte do poder público, além de ser alvo da cobiça de empresas particulares. Produzir um evento ali, atualmente, funciona quase como uma garantia de sucesso.
O movimento da arte contemporânea em direção a região, com instalações que parecem não ter limite (seja de criatividade, seja de tamanho), agradece. Ainda estão em obras dois museus que podem mudar a rotina e a cara da Zona Portuária. O que provoca maior expectativa é o Museu do Amanhã, de estrutura futurista e pretensões de abrigar as principais exposições. Por sua vez, o MAR — sigla de Museu de Arte do Rio — se adianta e já dá os primeiros passos. Está sendo erguido nas antigas dependências da Polícia Federal, colado à Praça Mauá, e vai abrigar a coleção de artes plásticas da família do empresário decomunicação Roberto Marinho. O objetivo é que esteja visitável no primeiro trimestre de 2012.



segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Cine Vitória vira livraria e teatro

No segundo semestre deste ano a rede paulista Livraria Cultura inaugura duas filiais cariocas, a maior delas com 3.300 metros quadrados, na rua Senador Dantas, Centro, onde funcionava o Cine Vitória. A outra ocupará 1.000 metros quadrados no shopping Fashion Mall. O arquiteto Fernando Brandão, criador das 11 outras lojas da rede, começou a desenhar os projetos esta semana. A identidade será a mesma da sede que ocupa 4.300 metros quadrados no Conjunto Nacional, em São Paulo, e atrai mais de 60 mil compradores por mês. Serão contratados 180 funcionários e, graças à altura do pé-direito do antigo Cine Vitória, será possível incluir no pacote também uma filial do teatro Eva Herz que tem como diretor artístico o ator e diretor Dan Stulbach.
O local próximo do Cine Odeon BR (Cinelandia) vive um momento de reflorescimento cultural após a reinaguração do Teatro Rival e do Teatro Dulcina.

sábado, 13 de agosto de 2011

Shakespeare no Palácio


O Centro Cultural do Poder Judiciário do Rio (CCPJ-Rio) está realizando neste mês de agosto uma programação dedicada ao grande dramaturgo ocidental William Shakespeare (1564-1616). O ciclo propõe a reflexão sobre “o poder”, tema central que perpassa toda a produção do inglês. Nessa etapa inicial do programa, será desenvolvida a análise de três importantes tragédias: “Macbeth” (1606); “Ricardo III” (1592) e “Hamlet” (1601). No segundo momento, o de reconhecimento, o Centro Cultural promoverá em setembro a apresentação de leituras dramatizadas das peças escolhidas, sob a direção de três diretores convidados..

Teatro Dulcina

Localizado próximo à Cinelandia, o Teatro Dulcina, no Rio de Janeiro, fechado há quatro anos, foi reaberto pela Ministra Ana de Hollanda no dia 08 de agosto. A reabertura reforça a revitalização cultural da àrea situada atrás do Palácio Pedro Ernesto, após o sucesso do Cine Odeon BR e do Teatro Rival.

A partir do dia 5 de agosto, o teatro abrirá suas portas para o público. Uma programação especial foi elaborada e se estenderá até 9 de setembro, incluindo oficinas, palestras e espetáculos como Bibi in Concert IV – 70 anos de história e canções; Viver sem tempos mortos, com Fernanda Montenegro; Uma Flauta Mágica, espetáculo de Peter Brook, e outros.

Dulcina de Moraes (1908-1996) foi atriz, diretora e empresária teatral. Em 1955, criou a Fundação Brasileira de Teatro, que funcionou no Teatro Dulcina até 1977. Inicialmente, em 1935, a casa de espetáculos foi inaugurada com o nome de Theatro Regina, passando a se chamar Teatro Dulcina após a compra que a atriz e seu marido, Odilon Azevedo, fizeram, em 1952.


quinta-feira, 21 de julho de 2011

Oferta e Demanda

Responda rápido: qual dos museus abaixo recebeu mais visitantes em 2010?

CCBB-RJ
Museu Rainha Sofia
Galeria degli Ufizzi
Galeria Tate
Rijskmuseum

A resposta, obviamente, é o CCBB-RJ, que está logo atrás, na lista, do Hermitage. O conjunto dos CCBBs, com pouco mais de quatro milhões de visitantes, está entre a Galeria Nacional de Washington e o MoMA de Nova Iorque. (E tem pouco mais da metade do campeão hors-concours eterno, que é o Louvre.) .

Agora, quais as nacionalidades dos artistas e curadores envolvidos em três das cinco exposições de arte contemporânea mais populares no mundo em 2010? Isso mesmo. Pela ordem, foram a exposição da sérvia radicada em Nova Iorque Marina Abramovic, no MoMA, a Bienal de São Paulo, e duas exposições no CCBB-RJ. Este ainda tem a exposição temática mais assistida do mundo, com a retrospectiva sobre o Islã. (A revista faz as contas, nessas categorias, por número de visitantes por dia, não total.)

A conclusão parece óbvia: o lugar-comum de que brasileiro não entende de arte e não gosta de ir a museus é falho. Pode até não entender grandes cousas de arte, mas visita museus mais do que muita gente com mais tempo e dinheiro disponíveis para isso. (OK, bem menos do que os japoneses.) E idem em relação a outros equipamentos culturais; a porcaria do zoológico do Rio tem números de visitantes comparáveis aos do zôo de Londres. O que deixa por terra toda a mistificação de que, para a cultura no Brasil, precisamos investir em educação para formar a demanda. Demanda existe, o que falta é oferta mesmo. A maioria dos museus brasileiros tem números de visitantes pífios por um motivo bem simples: são uma porcaria. O Rio de Janeiro tem mais de 120 museus, um número comparável a Londres ou Nova Iorque. São Paulo tem mais de 70, próximo de Madri. Obviamente ninguém acha que Rio e SP têm a mesma oferta de museus que esses países; a imensa maioria desses "museus" são coisa que, em outras paragens, quando muito seriam considerados "casas históricas."

Na categoria se encaixa até, de certa forma, o museu que inexplicavelmente recebe loas tanto dos guias 4 Rodas quanto do poder público, que é o Palácio do Catete, digo Museu da República. Et pourtant, falta de acervo para fazer museus que prestam não é um problema tão grande assim. O Museu Nacional, hoje largado às moscas, tem a maior coleção antropológica e paleontológica fora das casas de butim dos velhos países colonialistas ou da China, que além de repaginar as exposições na Quinta da Boa Vista serviria para montar subsedes, pelo menos, em cada região do Brasil. Os MAMs e a Pinacoteca, igualmente, poderiam muito bem emprestar parte de suas coleções para museus menores em cidades médias. E os museus de arte contemporânea, ciência, design, e história natural têm uma oferta de material praticamente inexaurível, se alguém, com verba extra mas também com parte daquela ganha com a extinção dos museos, se dedicasse a construí-los ou reformá-los. E público, pelo visto, mais que garantido.